terça-feira, 16 de setembro de 2014

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DANUZA LAMENTA QUE TODOS POSSAM IR A PARIS OU NY
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Ser rico perdeu a graça, segundo a colunista; seu artigo deste domingo é um retrato da elite brasileira, que busca o prazer aristocrático e não se conforma com a ascensão social do resto; "Ir a Nova York já teve sua graça, mas, agora, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça?", indaga
26 DE NOVEMBRO DE 2012 ÀS 06:04



247 - Em Tóquio, presidentes de empresas varrem a calçada das ruas onde moram. Em Manhattan, banqueiros usam o metrô para ir ao trabalho. Em Berlim, cada vez mais, os ricos rejeitam ser proprietários. Em Paris, o que distingue a elite é o conhecimento. No Brasil, no entanto, aqueles que estão no topo da pirâmide precisam ser diferentes, especiais, exclusivos, aristocráticos. Prova disso é o artigo de Danuza Leão, publicado neste domingo, na Folha de S. Paulo. Ela afirma que ser rico perdeu a graça, porque hoje, numa ida a Paris ou Nova York, periga-se dar de cara com o porteiro do seu prédio. Resumindo, o que a elite brasileira mais deseja é a desigualdade ou a volta aos tempos de casa grande e senzala. Leia:

Ser especial

Danuza Leão

Afinal, qual a graça de ter muito dinheiro? Quanto mais coisas se tem, mais se quer ter e os desejos e anseios vão mudando --e aumentando-- a cada dia, só que a coisa não é assim tão simples. Bom mesmo é possuir coisas exclusivas, a que só nós temos acesso; se todo mundo fosse rico, a vida seria um tédio.

Um homem que começa do nada, por exemplo: no início de sua vida, ter um apartamento era uma ambição quase impossível de alcançar; mas, agora, cheio de sucesso, se você falar que está pensando em comprar um com menos de 800 metros quadrados, piscina, sauna e churrasqueira, ele vai olhar para você com o maior desprezo --isso se olhar.

Vai longe o tempo do primeiro fusquinha comprado com o maior sacrifício; agora, se não for um importado, com televisão, bar e computador, não interessa --e só tem graça se for o único a ter o brinquedinho. Somos todos verdadeiras crianças, e só queremos ser únicos, especiais e raros; simples, não?

Queremos todas as brincadeirinhas eletrônicas, que acabaram de ser lançadas, mas qual a graça, se até o vizinho tiver as mesmas? O problema é: como se diferenciar do resto da humanidade, se todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais?

As viagens, por exemplo: já se foi o tempo em que ir a Paris era só para alguns; hoje, ninguém quer ouvir o relato da subida do Nilo, do passeio de balão pelo deserto ou ver as fotos da viagem --e se for o vídeo, pior ainda-- de quem foi às muralhas da China. Ir a Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça? Enfrentar 12 horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros --não é melhor ficar por aqui mesmo?

Viajar ficou banal e a pergunta é: o que se pode fazer de diferente, original, para deslumbrar os amigos e mostrar que se é um ser raro, com imaginação e criatividade, diferente do resto da humanidade?

Até outro dia causava um certo frisson ter um jatinho para viagens mais longas e um helicóptero para chegar a Petrópolis ou Angra sem passar pelo desconforto dos congestionamentos.

Mas hoje esses pequenos objetos de desejo ficaram tão banais que só podem deslumbrar uma menina modesta que ainda não passou dos 18. A não ser, talvez, que o interior do jatinho seja feito de couro de cobra --talvez.

É claro que ficar rico deve ser muito bom, mas algumas coisas os ricos perdem quando chegam lá. Maracanã nunca mais, Carnaval também não, e ver os fogos do dia 31 na praia de Copacabana, nem pensar. Se todos têm acesso a esses prazeres, eles passam a não ter mais graça.

Seguindo esse raciocínio, subir o Champs Elysées numa linda tarde de primavera, junto a milhares de turistas tendo as mesmas visões de beleza, é de uma banalidade insuportável. Não importa estar no lugar mais bonito do mundo; o que interessa é saber que só poucos, como você, podem desfrutar do mesmo encantamento.

Quando se chega a esse ponto, a vida fica difícil. Ir para o Caribe não dá, porque as praias estão infestadas de turistas --assim como Nova York, Londres e Paris; e como no Nordeste só tem alemães e japoneses, chega-se à conclusão de que o mundo está ficando pequeno.

Para os muito exigentes, passa a existir uma única solução: trancar-se em casa com um livro, uma enorme caixa de chocolates --sem medo de engordar--, o ar-condicionado ligado, a televisão desligada, e sozinha.

E quer saber? Se o livro for mesmo bom, não tem nada melhor na vida.
Quase nada, digamos.



COMENTÁRIOS

1202 comentários em "Danuza lamenta que todos possam ir a Paris ou NY"

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dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

Cláudia Silva 16.09.2014 às 18:21
Danuzaaaaaaa, morre de inveja filha minha sobrinha já foi pra Paris, Amsterdam e futuramente ela vai para New York e dar um belo passeio em Las Vegas. Minha sobrinha é pobre mas vai fazer essas belas viagens. Agora vou te perguntar uma coisa tu vai ser matar por causa disso, morre socialite besta.
Maria Luiza 16.09.2014 às 12:56
"O mundo está ficando pequeno". Parabéns, você apesar de ser burra pra caramba, conseguiu definir o conceito de Globalização.
Ana Martins 14.09.2014 às 12:25
O texto intitulado “Danuza lamenta que todos possam ir a Paris ou Nova Iorque” leva o leitor menos atendo a entender que o título da matéria se refere à opinião da escritora. Porém, o leitor que se dispõe a ler o texto até o final chegará à conclusão de que o texto, na verdade, é uma crítica à elite rica brasileira que se sente incomodada com a ascenção das classes sociais menos abastarda.
Ana Martins 14.09.2014 às 12:24
O texto intitulado “Danuza lamenta que todos possam ir a Paris ou Nova Iorque” leva o leitor menos atendo a entender que o título da matéria se refere à opinião da escritora. Porém, o leitor que se dispõe a ler o texto até o final chegará à conclusão de que o texto, na verdade, é uma crítica à elite rica brasileira que se sente incomodada com a ascenção das classes sociais menos abastarda.
Paulo 12.09.2014 às 14:56
Maravilhoso texto, parece que ela escreveu por mim. Irônico sim, mas também, verdadeiro, porque no fim das contas, viajar pra Paris, pra enfrentar ruas congestionadas, com gente afobada, se engalfinhando em poses pras fotos de Facebook é enjoativo, tedioso e sem graça. A melhor viagem continua sendo ler um bom livro.
marlise siqueira pereira 4.09.2014 às 14:44
claro que ela está sendo ironica. Texto excelente, com muita ironia e humor, adorei.
Sérgio Machado 1.09.2014 às 20:27
Putz, até gostava dessa criatura. Cheguei a comprar dois livros dela, só para a mesma enriquecer mais um pouquinho. kkkkk Só tenho uma coisa a dizer, com todo o poder aquisitivo que ela possa ter, bem que podia arrumar aquela cara torta. A boca é pior do que a do Curinga.
SOLANGE SANTOS TOZATI 29.08.2014 às 23:05
CARACA MULHER, VAI LAVAR UMA ROUPA, VAI CARPIR UMA ROÇA, QUE É ISSO QUE O PRÍNCIPE CHARLES FAZ! JÁ QUE QUER SER EXCLUSIVA E FAZER O QUE POUCOS FAZEM QUE TAL " TEREZA DE CALCUTÁ"? VOCÊ QUER SER CRIATIVA INVENTA UMA MANEIRA DE INCLUIR OS USUÁRIOS DE DROGAS E ÁLCOOL EM UM PLANO DE TRATAMENTO QUE TENHA UMA SOLUÇÃO VERDADEIRA, TIPO A CURA.
Nilda 29.08.2014 às 12:48
Concordo. Sinal que chegou a hora de crescer.
Maria Sampaio 29.08.2014 às 08:04
Sempre gostei dos textos da Danuza...mas dessa vez ela perdeu o ponto. Foi pimenta demais no vatapá ! Se deseja tanto exclusividade , vai para o alto do Everest ou para o deserto de Atacama. Quem sabe lá ...consiga ser considerada única . Deixa esse povinho ´se encontrar em Paris , Roma ou NY . Ou vá desfilar sua falência nos Emirados ...passeando nas ruas e comprando em 10 x.
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